 O PIB (Produto Interno Bruto) da construção civil brasileira calculado pelo SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e FGV (Fundação Getúlio Vargas) deve registrar crescimento de cerca de 1% em 2009. Para 2010, a estimativa é de incremento de 8,8%. Os números foram apresentados nesta quarta-feira (2/12) em coletiva de imprensa na sede do Sindicato, em São Paulo.
O resultado de 2009 ficou abaixo do anunciado pelo SindusCon-SP em outubro último, quando a expectativa era de crescimento de 2,5% a 3,5% no PIB do setor. Segundo a consultora Ana Maria Castelo, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o desempenho fraco do consumo das famílias e da produção da indústria de materiais de construção puxou o PIB do setor para baixo. "Um dos efeitos da crise foi uma forte queda de receita no comércio varejista [de materiais de construção], que começou a se recuperar no fim do ano", diz. |
Construção imobiliária e infraestrutura
Os destaques positivos no PIB de 2009 foram as áreas de construção imobiliária residencial e de infraestrutura. E são elas que devem puxar o crescimento da construção em 2010. "Os setores que receberão mais recursos serão o imobiliário e o energético; os investimentos imobiliários deverão passar de R$ 170 bilhões em 2009 para R$ 202 bilhões em 2010", explica o presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe. A taxa de investimentos públicos e privados para 2010 deve girar em torno de 20% do PIB, de acordo com a entidade.
Para Ana Maria Castelo, a recuperação da construção imobiliária, que sofreu com o cancelamento ou adiamento de lançamentos no início do ano, deve-se aos incentivos das políticas públicas anticíclicas. "Elas conseguiram reverter as expectativas negativas; o [programa habitacional] Minha Casa, Minha Vida foi fundamental", avalia.
Segundo a economista, apesar de o setor ter voltado a crescer num ritmo mais vigoroso, os riscos de um aquecimento insustentável como os de 2007 e 2008 são pequenos. Naquele período, a corrida das empresas de construção imobiliária para construir e entregar resultados gerou um aumento generalizado de custos, de terrenos, mão de obra, materiais e equipamentos. "É pouco provável que aquele cenário volte; 2007 e 2008 foram anos atípicos", aposta.
Emprego em alta
O nível de emprego na construção civil, de acordo com o SindusCon-SP, cresceu 7,3% de janeiro a setembro deste ano, comparado a mesmo período do ano anterior. No final de setembro, o setor empregava 2,297 milhões de trabalhadores com carteira assinadas. Desse total, 212 mil foram contratados em 2009. "Esse crescimento [no número de empregados] é expressivo, pois se dá sobre uma base muito elevada; 2007 e 2008 foram anos de crescimento atípico", explica Ana Maria Castelo.
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Fonte: www.piniweb.com.br |